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Q1507300 Português

Cultura clonada e mestiçagem

    Levantar hoje a questão da cultura é colocar-se em uma encruzilhada para a qual convergem, embora também se oponham, o avanço da globalização e a persistência das identidades nacionais. Mas a cultura não pode mais, presentemente, construir-se sem uma tensão constitutiva, existencial e vital entre o universal, o regional, o nacional e o comunitário.

     Apesar de as culturas se manterem arraigadas em seus contextos nacionais, torna-se cada vez mais difícil acreditar que os conceitos tradicionais de identidade, povo ou nação sejam "intocáveis". De fato, jamais nossas sociedades conheceram ruptura tão generalizada com tradições centenárias. Devemos, porém, indagar se as evoluções contemporâneas, em geral apresentadas como possíveis ameaças a essas tradições, inclusive a do Estado-nação, não constituiriam terrenos férteis para a cultura, ou seja, favoráveis à coexistência das diversidades. Um duplo obstáculo seria então evitado: a coesão domesticada e a uniformização artificial.

      O primeiro obstáculo advém da fundamentação do modelo hegemônico de identificação em uma cultura única, total, dominante, integrativa. Esta era percebida como algo estático e definitivo. Era brandida como uma arma, cujos efeitos só hoje avaliamos: neste século, vimos as culturas mais sofisticadas curvarem-se à barbárie; levamos muito tempo até perceber que o racismo prospera quando faz da cultura algo absoluto. Conceber a cultura como um modo de exclusão conduz inevitavelmente à exclusão da cultura. Por isso, o tema da identidade cultural, que nos acompanha desde as primeiras globalizações, é coisa do passado.

        Mas a cultura não deve emancipar-se da identidade nacional deixando-se dominar pela globalização e pela privatização. As identidades pós-nacionais que estão surgindo ainda não demonstraram sua capacidade de resistir à desigualdade, à injustiça, à exclusão e à violência. Subordinar a cultura a critérios elaborados nos laboratórios da ideologia dominante, que fazem a apologia das especulações na bolsa, dos avatares da oferta e da demanda, das armadilhas da funcionalidade e da urgência, equivale a privá-la de seu indispensável oxigênio social, a substituir a tensão criativa pelo estresse do mercado. Neste sentido, dois grandes perigos nos ameaçam. O primeiro é a tendência atual a considerar a cultura um produto supérfluo, quando, na realidade, ela poderia representar para as sociedades da informação o que o conhecimento científico representou para as sociedades industriais. Frequentemente se esquece que reparar a fratura social exige que se pague a fatura cultural: o investimento cultural é também um investimento social.

     O segundo perigo é o "integrismo eletrônico". Das fábricas e dos supermercados culturais emana uma cultura na qual o tecnológico tem tanta primazia que se pode considerá-la desumanizada.

     Mas como "tecnologizar" a cultura reduzindo-a a um conjunto de clones culturais e pretender que ela continue a ser cultura? A cultura clonada é um produto abortado, porque, ao deixar de estabelecer vínculos, deixa de ser cultura. O vínculo é seu signo característico, sua senha de identidade. E esse vínculo é mestiçagem - portanto o oposto da clonagem. A clonagem é cópia; e a mestiçagem, ao contrário, cria um ser diferente, embora também conserve a identidade de suas origens. Em todas as partes onde se produziu, a mestiçagem manteve as filiações e forjou uma nova solidariedade que pode servir de antídoto à exclusão.

         Parafraseando Malraux, eu diria que o terceiro milênio será mestiço, ou não será.


PORTELLA, Eduardo. Texto apresentado na série Conferências do Século XXI, realizada em 1999, e publicado em O

Correio da Unesco, jun., 2000

O vocábulo “pós-nacionais” (4º parágrafo) está correto quanto à sua grafia; o mesmo NÃO ocorre na opção:
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No geral, as locuções não possuem hífen, mas algumas exceções continuam possuindo por já estarem consagradas pelo uso: cor-de-rosa, arco-da-velha, mais-que-perfeito, pé-de-meiaágua-de-colônia, queima-roupa, deus-dará.

Fonte: brasilescola.uol.com.br

Olá, vou dar uma dica de como fiz para não esquecer essa exceção à regra da questão. Lembra da música: "meu deidinhos, meus dedinhos... onde estão? Aqui estão! Eles se saúdam... eles se saúdam... e se vão!" Então, eu canto assim: "Arco-da-velha, mais-que-perfeito, cor-de-rosa, água-de-colônia, pé-de-meia, gota-dágua, Deus-dará, Queima-roupa!" Me ajudou muito. Lembra do meu nome: Estarei no curso de formação da PF contigo!

cavalo-vapor duas palavras com unidade de significado, sílaba tônica própria e Sem conectivo (separados por hífen).

inter-regional consoantes iguais, separa com hífen

arco-da-velha palavra consagrada pelo uso com hífen

água-de-colônia palavra consagrada pelo uso com hífen

GABARITO -E

Algumas regras importantes para revisão>

a) cavalo-vapor

Usamos hífen quando formamos palavras compostas como: Azul -escuro, primeiro -sargento, primeiro-ministro,

Cavalo-vapor .....

----------------------------

b) inter-regional

Os iguais se repelem e os diferentes se atraem.

c) arco-da-velha

Memorize: São locuções que permanecem com Hífen:

água-de-colônia

Ao Deus-dará

Queima-roupa

Mais -que - perfeito

Arco-da-velha

água -de-colônia

pé-de -meia

Cor-de-rosa

e) pôr-do-sol

é pôr do sol, com acento circunflexo e sem hífen

DICA: A MAIORIA DAS LOCUÇÕES PERDERAM O HÍFEN. ALGUMAS QUE

PERMANECERAM FORAM LISTADAS NA ASSERTIVA C).

Bora!!!

Para apagar o QUEIMA-ROUPA

Ao DEUS-DARÁ

ÁGUA-DE-COLÔNIA

isso éMAIS-QUE-PERFEITO

Dentro do ARCO-DA-VELHA

tinha uma PAR-DE-MEIA

COR-DE-ROSA

Esquema do Prof.: TGB

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