Releia as seguintes passagens do texto. I. “A população br...
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Ano: 2022
Banca:
Instituto Consulplan
Órgão:
Prefeitura de Caeté - MG
Prova:
Instituto Consulplan - 2022 - Prefeitura de Caeté - MG - Assistente Social |
Q2069110
Não definido
Texto associado
As verdades mais profundas
As tragédias no Brasil são esquecidas facilmente. A
comoção não se sustenta ao fim de 48 horas. E depois tudo
volta à “normalidade” em um país como o nosso, que ainda
tem uma enorme dívida para com o seu povo negro.
Crianças negras são mortas por balas perdidas; homens
negros são torturados e assassinados por serem negros; mulheres negras são discriminadas pelo olhar e pelas palavras
e por gestos sórdidos, que cortam como lâmina afiada a
ceiva da dignidade.
O sangue jorra nas ruas e vielas de comunidades carentes, nas favelas, no asfalto, nas praças e avenidas, no ônibus,
no supermercado, na escola, no vil ato de abordar uma pessoa, se utilizando das práticas mais cruéis e desumanas.
Em um anúncio de emprego nos classificados de um
jornal ou nas redes sociais, é solicitado o envio de currículo
com foto. Sem se dar conta, o jovem negro da periferia assim
o faz. Mas no fundo esse “método” foi para eliminá-lo.
Esse mesmo jovem, muitas vezes deprimido, sem horizonte, sai a caminhar e se depara em frente a um shopping.
As luzes o fascinam, como a todo jovem. Mas, ao adentrar,
logo é cercado por seguranças que o encaminham a uma
sala e exigem documentos.
Só quem é negro sabe o quanto dói ser discriminado
pela cor da pele, por ter cabelo afro, por cantar e dançar as
suas origens. Essa violência e ódio deixam a alma esquartejada, acabam com a autoestima, fazendo nascer o sentimento de culpa.
Como é possível num país como o nosso, construído
por mãos negras ao longo de séculos, toda essa insanidade
humana? A escravidão de ontem é o martírio cotidiano de
hoje, da humilhação, do prato vazio, da falta de emprego, de
saúde.
A população brasileira é composta por 56,2% de pretos
e pardos. A grande maioria é pobre e está exilada em seu
“próprio” país. Os direitos da cidadania, garantidos pela
Constituição Cidadã, não chegam até eles.
O analfabetismo para a população negra é de 11,8% –
maior que a média de toda população brasileira (8,7%). Dos
jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham,
mais de 60% são negros, de acordo com o IBGE.
O poeta Affonso Romano descreveu muito bem o
Brasil: “Uma coisa é um país, outra um fingimento. Uma
coisa é um país, outra um monumento. Uma coisa é um país,
outra o aviltamento. Há 500 anos estupramos livros e mulheres. Há 500 anos somos pretos de alma branca”.
As transformações que o Brasil tanto necessita só serão
alcançadas por meio da ação política. Não é por acaso que
não haja negros nos espaços decisórios do poder. Quantos
senadores e senadoras negros existem? Deputados e deputadas? Governadores e governadoras? Vereadores e vereadoras? Prefeitos e prefeitas?
É evidente que há uma fratura social exposta e ela se
personifica no racismo estrutural, institucional e de Estado. A
sociedade brasileira é racista. O professor e filósofo Silvio
Almeida explica que o racismo é apresentado como decorrência da própria estrutura, ou seja, do modo “normal” com que
se constituem as relações políticas, econômicas, jurídicas e até
familiares.
Uma das formas de combatê-lo é por meio da ação
legislativa. Precisamos aprovar os seguintes Projetos de Lei:
4.373/2020, que tipifica como crime de racismo a injúria
racial; 5.231/2020, que trata da abordagem dos agentes
públicos e privados de segurança.
Da mesma forma, o Congresso precisa aprovar também
o 3.434/2020, que reserva vagas para negros nos programas
de pós-graduação e o 4.656/2020, que estende a validade
da Lei de Cotas (Lei 12.711/2012), que perde a validade em
2022.
O Brasil é o país das multicores, das diversidades e das
diferenças. O racismo e as desigualdades sociais são chagas
da nossa sociedade; precisam ser eliminados. Que o grito de
resistência de Zumbi dos Palmares, de esperança e de transformação, ecoe em todos os cantos do nosso país.
(PAIM, Paulo. As verdades mais profundas.
Jornal do Brasil, 2021. Disponível em
https://www.jb.com.br/pais/opiniao/artigos/2021/11/1034016-asverdades-mais-profundas.html. Acesso em: 15/11/2021. Adaptado.)
Releia as seguintes passagens do texto.
I. “A população brasileira é composta por 56,2% de pretos e pardos.” (8º§) II. “O analfabetismo para a população negra é de 11,8% – maior que a média de toda população brasileira (8,7%). Dos jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham, mais de 60% são negros, de acordo com o IBGE.” (9º§)
O autor lança mão de alguns dados de pesquisa com o propósito, sobretudo, de:
I. “A população brasileira é composta por 56,2% de pretos e pardos.” (8º§) II. “O analfabetismo para a população negra é de 11,8% – maior que a média de toda população brasileira (8,7%). Dos jovens entre 15 e 29 anos que não estudam nem trabalham, mais de 60% são negros, de acordo com o IBGE.” (9º§)
O autor lança mão de alguns dados de pesquisa com o propósito, sobretudo, de: