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Q1623428 Português
Texto para responder à questão:

Consumo e felicidade
    Patrick Terrien, chef francês e diretor da escola de culinária Le Cordon Bleu, declarou à coluna “As últimas 10 coisas que comprei”, do caderno Vitrine, da Folha, ter comprado champanhe, flores, foie gras, laranjas, cogumelos selvagens, água, jornal, pão, um CD e entradas para o cinema.
    O que uma pessoa compra dá uma boa noção de como ela vive. No caso do chef, tudo o que ele comprou foi para o consumo em família, para presentear um amigo e sair com a mulher.
    Comprou coisas que não duram nem podem ser exibidas, mas podem tornar a relação entre as pessoas próximas a ele mais agradável e apetitosa.
[...]
    Mas, na sociedade de consumo, vivemos para sermos felizes por meio do que adquirimos. Paradoxalmente, por meio daquilo que descartamos.
    A aquisição de mercadorias satisfaz nossos desejos e providencia nossa felicidade. Mas os desejos são inesgotáveis. Brotam de todo contato que temos com o que existe no mundo. Um dá lugar a outro, e satisfazê-los é tarefa impossível.
    Como as mercadorias são produzidas com a finalidade primeira de serem compradas, a sociedade de consumo precisa permanentemente provocar nossa insatisfação com o que temos e atiçar nosso desejo pelo que ainda não temos. Toda propaganda de alguma mercadoria sugere, subliminarmente, que aquela que temos está ultrapassada e não pode nos oferecer o que a nova poderá. Não comprá-la é ficar em falta com nós mesmos e não pertencer ao círculo especial dos que já a adquiriram.    
    Enredados nesse modo-contínuo de insatisfação/ descarte/consumo, compreendemos a máxima da vida: sempre seremos felizes por pouco tempo.
    Toda suposta felicidade antecipa uma infelicidade. E, enquanto saltamos de uma infelicidade a outra, a almejada felicidade passa a ser um breve intervalo, sempre imperceptível.
    A felicidade, substituída pela satisfação de desejos nunca aplacáveis, jamais é experimentada. O que nos resta é a ansiedade da felicidade.
    As compras do chef francês sugerem que ele se desvia dessa sedução consumista. Fruir, mais do que ter. E não apenas o sabor do foie gras ou dos cogumelos, mas o prazer de repartir com amigos e familiares pequenos prazeres. Celebração e simplicidade.

(DULCE CRITELLI, terapeuta existencial e professora de filosofia da PUC-SP, é autora de “Educação e Dominação Cultural” e “Analítica de Sentido” e coordenadora do Existentia – Centro de Orientação e Estudos da Condição Humana [email protected] Cristiane Segatto. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/eq1211200901.htm. Acesso em: 01/2020. DULCE CRITELLI/FOLHAPRESS. Adaptado.)
De acordo com o exposto, pode-se identificar corretamente no texto:
Alternativas

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Interpretação do Enunciado: Esta questão requer interpretação de texto. O foco é entender a mensagem principal do texto sobre o consumo e sua relação com a felicidade.

Estratégia para Responder: Ao analisar o texto, devemos identificar as críticas ao comportamento da sociedade de consumo, marcadas pela insatisfação constante e o ciclo de compra e descarte. Além disso, observe como o autor destaca a diferença entre consumo material e valores humanos como celebração e simplicidade.

Explicação da Alternativa Correta (C): O texto oferece uma crítica aos comportamentos da sociedade de consumo, especialmente a insatisfação contínua gerada por esse estilo de vida. A ideia central é que a busca incessante por novas mercadorias leva a uma insatisfação permanente. Assim, a alternativa C está correta porque reflete essa crítica à insatisfação constante na sociedade de consumo.

Justificativas para as Alternativas Incorretas:

A: A alternativa sugere uma comparação entre consumo sustentável e consumo indiscriminado. No entanto, o texto não faz essa comparação direta, mas sim uma crítica ao consumo indiscriminado e à busca incessante por felicidade através de bens materiais.

B: Esta alternativa propõe que o consumo é essencial para a sobrevivência, o que não é mencionado no texto. O texto critica a ideia de que a felicidade é alcançada por meio do consumo, em vez de justificá-lo como essencial.

D: A alternativa sugere um posicionamento favorável à busca de felicidade por meio do consumo, que é o oposto da mensagem crítica do texto. O texto critica essa busca e a considera uma fonte de insatisfação.

Conclusão: Ao responder questões de interpretação de texto, é fundamental focar nas ideias principais e nas críticas apresentadas pelo autor. No caso deste texto, a crítica está direcionada ao ciclo de consumo e insatisfação e como isso afeta a percepção de felicidade.

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 Toda suposta felicidade antecipa uma infelicidade. E, enquanto saltamos de uma infelicidade a outra, a almejada felicidade passa a ser um breve intervalo, sempre imperceptível.

C - Crítica a comportamentos vividos na sociedade de consumo tendo em vista sua consequente e constante insatisfação.

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