A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” (2ª e...

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Q3194743 Português
Texto para responder à questão.

O açúcar


O branco açúcar que adoçará meu café
nesta manhã de Ipanema
não foi produzido por mim
nem surgiu dentro do açucareiro por milagre.


Vejo-o puro
e afável ao paladar
como beijo de moça, água
na pele, flor que se dissolve na boca. Mas este açúcar,
não foi feito por mim.


Este açúcar veio
da mercearia da esquina e tampouco o fez o Oliveira,
dono da mercearia.
Este açúcar veio de uma usina de açúcar em Pernambuco
ou no Estado do Rio
e tampouco o fez o dono da usina.


Este açúcar era cana
e veio dos canaviais extensos
que não crescem por acaso
no regaço do vale.
Em lugares distantes, onde não há hospital
nem escola,
homens que não sabem ler e morrem de fome
aos vinte e sete anos
plantaram e colheram a cana
que viraria açúcar.


Em usinas escuras,
homens de vida amarga
e dura
produziram este açúcar
branco e puro
com que adoço meu café esta manhã em Ipanema.


(GULLAR, F. Toda poesia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1980, p. 227-228.)
A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” (2ª estrofe) é usada para:
Alternativas

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Gabarito: C

O uso da vírgula nesse contexto não é obrigatório do ponto de vista da gramática normativa. Em frases simples com sujeito seguido diretamente pelo verbo, a vírgula normalmente não é usada. Porém, neste caso, a pausa criada sugere um efeito enfático ou expressivo, destacando o sujeito da oração.

Se reescrevêssemos sem a vírgula:

➡️ “Mas este açúcar não foi feito por mim.”

A leitura seria mais fluida, sem ênfase no sujeito.

Com a vírgula:

➡️ “Mas este açúcar, não foi feito por mim.”

A vírgula cria uma pausa que reforça a importância do sujeito, chamando a atenção para ele. Esse uso pode ocorrer na linguagem poética, literária ou até na fala para dar maior impacto ao enunciado.

Chat GPT (qualquer erro, corrijam me abaixo, pois não tenho certeza sobre a explicação, apenas peguei do chatgpt, pois nessa data na qual estou fazendo esse comentário, ainda não tem nenhum comentário na questão)

A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” (2ª estrofe) é usada para marcar a ênfase de um termo deslocado na oração.

Explicação didática:

  1. Deslocamento de Termo:
  • Na oração, o termo "este açúcar" foi deslocado de sua posição habitual (que seria após o verbo) para o início da frase. Esse deslocamento é feito para dar ênfase ao termo.
  • Quando um termo é deslocado, é comum usar uma vírgula para separá-lo do restante da oração, indicando essa mudança de posição e a ênfase que se deseja dar.
  1. Análise das Alternativas:
  • A) Separar um aposto explicativo: Um aposto explicativo seria uma informação adicional sobre o termo, o que não é o caso aqui.
  • B) Indicar a omissão de um termo que seria repetido: Não há omissão de termo na frase.
  • C) Marcar a ênfase de um termo deslocado na oração: Correta. O termo "este açúcar" foi deslocado para o início da frase para ganhar ênfase, e a vírgula marca essa mudança.
  • D) Sinalizar a intercalação de um elemento acessório na frase: Não há intercalação de elemento acessório na frase.

Conclusão:

A vírgula em “Mas este açúcar, não foi feito por mim.” é usada para marcar a ênfase de um termo deslocado na oração. Portanto, a alternativa correta é a C.

Na verdade é um tanto problemático afirmar que houve "deslocamento de um termo para fins de ênfase", uma vez que a frase em análise está na ORDEM PADRÃO: sujeito-verbo.

Ocorre que ela está na voz passiva analítica:

Mas este açúcar não foi feito por mim.

Convertendo pra ativa:

Mas eu não fiz este açúcar.

Em ambas as frases, a vírgula NÃO deve existir.

Portanto, quando o examinador diz que o termo "este açúcar" está DESLOCADO, isso não é bem verdade, já que a expressão "este açúcar" é sim SUJEITO na voz passiva e se encontra no lugar que deveria estar, início da oração.

Eu entendo perfeitamente o que o examinador pensou:

Para dar ênfase ao açúcar, fez-se usa de uma pausa:

"Mas este açúcar , não foi feito por mim"

Ok, entendo que a vírgula pode ser usada para dar ênfase em desobediência à gramática normativa, sob o manto da chamada "licença poética", todavia justificar essa ênfase afirmando que houve DESLOCAMENTO de termos sintáticos, ou seja, afirmando que a expressão "este açúcar" foi DESLOCADA, isso está TERMINANTEMENTE ERRADO.

Percebe-se que o examinador não tem clareza em relação às vozes verbais. Veja que, na voz ativa, a expressão "este açúcar" é objeto direto, por isso fica no fim da frase:

Mas eu não fiz este açúcar.

Já, quando passamos para a passiva, ela figura no início:

Mas este açúcar não foi feito por mim.

Por ter ocorrido essa mudança de voz verbal, o "gênio" do examinador julgou ter ocorrido DESLOCAMENTO de termo sintático, ou seja, ele pensou que o objeto direto havia se deslocado para o início da frase, mas esse raciocínio não procede, porque o que há o início da frase não é mais objeto direto, mas sim SUJEITO PASSIVO, e, como tal, não aceita vírgula para separá-lo de seu verbo/locução verbal.

GAB C

O Rafael sem camisa fez uma importante observação. Não é um termo deslocado, os enunciados da Consulplan são muito ruins e as assertivas piores ainda. Tanto é que marquei a alternativa errada, por não ter encontrado um gabarito "real".

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