Foi solicitada uma interconsulta psiquiátrica na enfermaria de dermatologia para avaliar uma senhora viúva de
85 anos com queixas de múltiplas lesões cutâneas. Ela
relata coçar e cutucar compulsivamente a pele no pescoço e em seus membros superiores e inferiores há mais
de 10 meses. Ao exame físico, são observadas dezenas
de lesões cutâneas recobertas por crostas sanguíneas
e bordas avermelhadas, além de lesões cicatriciais com
bordas hiperpigmentadas, erosões e úlceras intercaladas. As lesões recobertas por crostas sanguíneas
sugerem traumatismo repetitivo na pele devido ao ato de
coçar e cutucar. As bordas avermelhadas e hiperpigmentadas das lesões cicatriciais são consistentes com o processo de cicatrização após a lesão da pele. As erosões
e úlceras também são características comuns devido à
manipulação excessiva da pele. A paciente tenta interromper esse comportamento de se cutucar, sem sucesso.
Durante a consulta, a paciente diz não aguentar mais essas lesões que a impedem de usar trajes mais leves ou
sair de casa com as lesões expostas. Reclama apresentar
preocupações financeiras persistentes, pois vive sozinha
e não teve filhos ao longo do casamento. Nega se sentir
depressiva, pois tem a sua rotina normal cuidando da
casa que o falecido marido a deixou.
Essas características clínicas são consistentes com o
diagnóstico de