Questões de Concurso Comentadas sobre sociologia
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Na tentativa de superar as mazelas sociais e promover a inclusão e a justiça, a partir dos anos 1990 o Brasil tem sido alvo em potencial dos programas de ações afirmativas que visam reconhecer e corrigir situações de direitos negados socialmente ao longo da história, visto que nos propósitos capitalistas que vigoram no Brasil há mais de 400 anos se insere a exploração do povo afrodescendente como mera ferramenta de utilidade material, força de trabalho e bem comercializável, sem o devido reconhecimento do desmantelamento de centenas de milhares de etnias que compunham o território do continente africano e que dispersaram por todo o mundo ocidental na constituição do capitalismo em suas múltiplas contradições sociais. Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir.
I. As ações afirmativas vêm sofrendo críticas de uma pequena parcela da sociedade brasileira (a elite), que há muito tempo vem acumulando riquezas e oportunidades.
II. Diferenciar inclusão social de exclusividade e privilégios sociais. A exclusividade é busca da afirmação de direitos que há muito tempo vêm sendo negados, enquanto inclusão social é marca registrada de um grupo ou segmento social que tem amplo acesso aos bens, riquezas e oportunidades produzidas em termos sociais, visto que uma ou outra parcela muito grande da população tem restrições ou é barrada por completo da participação sociocultural e do exercício da dignidade e da cidadania.
III. O que o negro e os outros segmentos excluídos da participação e usufruto dos bens, riquezas e oportunidades querem é o direito à cidadania, à cultura, à educação, ao trabalho digno e à participação das políticas públicas de caráter social.
IV. Os programas de ações afirmativas são, na verdade, políticas de correção de desigualdades sociais e formas de efetivação de direitos. Portanto, defender as ações afirmativas é de fato se posicionar contra o mito da democracia racial e a exclusão social existente no Brasil.
Assinale
Atente para o seguinte enunciado: “Ora, os projetos culturais, exatamente pela sua complexidade, demandam um conhecimento profundo dos arranjos produtivos das artes e da cultura, da lógica própria dos bens e serviços culturais, enfim, é tarefa para experts, indivíduos capazes de compreender as relações entre cultura e mercado, as contribuições do marketing cultural, a gestão administrativo-financeira, de pessoas etc.”.
Plano Estadual de Cultura 2003-2006, Secretaria de Cultura do Governo de Estado do Ceará.
No texto encontra-se uma crítica àqueles que pensam
que
No Dicionário critico de política cultural organizado por Teixeira Coelho, esforço único feito no Brasil de elaboração de um amplo quadro conceitual na área, a política cultural pode ser entendida como:
“[...] um programa de intervenções realizadas pelo Estado, entidades privadas ou grupos comunitários com o objetivo de satisfazer as necessidades culturais da população e promover o desenvolvimento de suas representações simbólicas. Sob este entendimento imediato, a política cultural apresenta-se assim como um conjunto de iniciativas, tomadas por esses agentes, visando promover a produção, distribuição e o uso da cultura, a preservação e a divulgação do patrimônio histórico e o ordenamento do aparelho burocrático por elas responsável”.
COELHO, T. Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário. São Paulo: Ed. Iluminuras, 1997, p.203.
O sociólogo Alexandre Barbalho, no entanto, critica a forma proposta,
I. porque estaria muito próxima do conceito de gestão cultural. Para o autor, a política cultural é o pensamento da estratégia, e a gestão é o cuidado na sua execução.
II. porque se refere ao conjunto de técnicas, de instrumentos — oriundo dos saberes administrativos, gerenciais — aplicado ao setor da cultura.
III. porque qualquer política cultural
necessariamente implica lutas institucionais e
relações de poder na produção e circulação de
bens simbólicos.
Leia atentamente o seguinte excerto: “O tema da mediação cultural readquiriu, nas três últimas décadas, muita relevância nos discursos políticos e programáticos que apelam à formação e atração de públicos para as artes e a cultura. Esse apelo, muito associado ainda aos princípios da ‘democratização cultural’, traduz igualmente as preocupações de sustentabilidade sentidas por agentes e instituições culturais, em um contexto em que o poder público tende a desvincular-se do financiamento à cultura”.
Théberge, Paul (2004). The Network Studio: Historical and technological paths to a new ideal in music making. Social Studies of Science, 34/5, 759-781.
Considerando os mecanismos de mediação cultural, na generalidade dos programas de divulgação e formação de públicos para a cultura, propostos pelas organizações culturais, escreva V ou F conforme seja verdadeiro ou falso o que se afirma a seguir:
( ) O recital didático, desde que contenha um repertório diversificado e ações pedagógico-musicais complementares, é um mecanismo eficaz para ampliar o acesso à diversidade musical e, por consequência, promover a escuta musical ativa.
( ) No concerto didático, a apreciação musical está associada a atividades de manipulação de materiais sonoros, expressão e forma, aliadas à literatura e a transformação de valores atribuídos à música.
( ) A atividade musical básica na formação de plateia é a apreciação musical orientada, onde a interação entre público e músicos pode acontecer de diversas formas, tornando a plateia mais consciente e capaz de compreender os diversos estilos musicais.
( ) Em workshops, o papel da tecnologia tem-se
mostrado um elemento-chave no
processo de intermediação cultural, que
possibilita a determinados segmentos da
população o acesso a momentos de
criação, produção e fruição musical.
Atente para o que as pesquisadoras Ilse Scherer-Warren Lígia e Helena Hahn Lüchmann afirmam no seguinte excerto: “A emergência de novas articulações entre Estado e sociedade, principalmente a partir da Constituição de 1988, deslocou grande parte das energias participativas para o interior dos novos espaços institucionais que, a exemplo dos Conselhos Gestores e dos Orçamentos Participativos – OP –, resultaram, em grande medida, das lutas e reivindicações pela democratização do Estado”.
Fonte: Ilse Scherer-Warren; Lígia Helena Hahn Lüchmann. Situando o debate sobre movimentos sociais e sociedade civil no Brasil – Introdução. Política & Sociedade, n. 05, 2004.
Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira.
Segundo Joelson Bernardes Albuquerque e Ângela Carrancho da Silva, “um projeto cultural deve ter sua exposição claramente fundamentada nos detalhes do que se pretende ver realizado, através de um documento que informa sobre o produto o seu conteúdo, a sequência de atividades a serem desenvolvidas com seus resultados e objetivos esperados, o tempo e os recursos e meios requeridos e disponíveis, indicações das condições de gestão, enfim tudo que é necessário e útil para que o projeto possa ser posto em prática e quais as circunstâncias que ele oferece de monitoramento, análises e julgamentos para ser compreendido e aceito”.
Fonte: Joelson Bernardes Albuquerque; Ângela Carrancho da Silva. Avaliação de projetos culturais. In: Meta: Avaliação | Rio de Janeiro, v. 2, n. 6, p. 289-320, set./dez. 2010.
Segundo a compreensão dos autores,