Questões de Concurso Sobre escolas literárias em literatura

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Ano: 2017 Banca: IF-SC Órgão: IF-SC Prova: IF-SC - 2017 - IF-SC - Professor - Português |
Q859764 Literatura
Em Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos 1750-1880, Antônio Cândido (2013, p.353) afirma que, no Romantismo, o nacionalismo se exprimiu em vários poemas épicos, sendo estes representados pelos textos:
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Q845306 Literatura

Considere os dois poemas:

Imagem associada para resolução da questão


Em relação aos poemas, é correto afirmar: 

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Q845304 Literatura

BANHO (RURAL)


De cabaça na mão, céu nos cabelos

à tarde era que a moça desertava

dos arenzés da alcova. Caminhando


um passo brando pelas roças ia

nas vingas nem tocando; reesmagava

na areia os próprios passos, tinha o rio


com margens engolidas por tabocas,

feito mais de abandono que de estrada

e muito mais de estrada que de rio


onde em cacimba e lodo se assentava

água salobre rasa. Salitroso

era o também caminho da cacimba


e mais: o salitroso era deserto.

A moça ali perdia-se, afundava-se

enchendo o vasilhame, aventurava


por longo capinzal, cantarolando:

desfibrava os cabelos, a rodilha

e seus vestidos, presos nos tapumes


velando vales, curvas e ravinas

(a rosa de seu ventre, sóis no busto)

libertas nesse banho vesperal.


Moldava-se em sabão, estremecida,

cada vez que dos ombros escorrendo

o frio d'água era carícia antiga.


Secava-se no vento, recolhia

só noite e essências, mansa carregando-as

na morna geografia de seu corpo.


Depois, voltava lentamente os rastos

em deriva à cacimba, se encontrava

nas águas: infinita, liquefeita.


Então era que a moça regressava

tendo nos olhos cânticos e aromas

apreendidos no entardecer rural.

                                     Fonte: MAMEDE, Z. O arado. Rio de Janeiro: São José, 1954. p.17-18.


O BANHO DA CABLOCA


Teima dos sapos...

Chiado dos ramos nos balcedos...

Chóóóóó... da levada...

— Noitinha —

Acocorada num cepo põe sobre os cabelos compridos

As primeiras cuias d’água: — Choá! Choá! Choá” —


A lua treme n’água remexida...


Ruque! ruque! das mãos esfregando as carnes rijas...

Um pedaço de canção alegra o banho...

E a teima dos sapos: — foi! Não foi!

E a camisa é posta sobre a carne molhada e nova

E a sombra passa entre as árvores — ligeira — úmida e morna —

Num pedaço de canção que alegrou o banho...

Fonte: FERNANDES, J. Livro de poemas. Introdução, organização e notas de Maria Lúcia de Amorim Garcia. 5. ed. Natal: EDUFRN, 2008. p. 49. 

Em relação aos poemas, é correto afirmar:
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Q845302 Literatura

Considere os comentários:


(I)

Obra inovadora, uma narrativa poética, na qual plantas, pássaros e insetos são apresentados de forma afetiva. Constitui um romance de costumes que traz a vida e a morte de pequenos animais. Esses vivem em uma chácara urbana, onde a batalha pela vida pode significar a luta pela sobrevivência humana.


(II)

Currais Novos e o Seridó são o ambiente dessa narrativa em primeira pessoa. O narrador é um menino do sertão que vem morar na cidade para estudar. A linguagem apresenta-se duramente poética, sem rodeios, confrontando o rural e o urbano.


(III)

A narrativa desenvolve-se na Natal do início do século XX, período em que a cidade sofreu grandes transformações impulsionadas pelos ecos de uma modernidade que acontecia nas grandes metrópoles. A personagem principal, de comportamento, supostamente, transgressor, acaba se rendendo às imposições sociais e abdicando de seus desejos.


(IV)

A transformação da personagem principal, um sertanejo submisso e libidinoso da região do Seridó, é motivo para tornar visíveis elementos tradicionais dessa região norte-rio-grandense. A narrativa, construída à semelhança das narrativas de cordel, evidencia mitos, lendas e diversas figuras que compõem a cultura popular.

Fonte: FUNCERN, 2017.


Considerando o percurso da prosa da literatura do Rio Grande do Norte, os comentários referem-se, respectivamente, aos seguintes romances:

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Q845301 Literatura

Considere o excerto:

Romantismo, indianismo, nativismo e paixão pela cultura popular vingaram no mesmo clima de emancipação do Antigo Regime. O processo atravessou duas ou três gerações e, embora tenha sido mais agudo no período das independências, persistiu até o século seguinte, resistindo bravamente às ondas cosmopolitas do pensamento evolucionista, aqui ajustadas e filtradas de tal modo que se misturaram generosamente com o folclorismo romântico.

No Brasil, trabalhos de levantamento e transcrição dos materiais de base foram empreendidos por José de Alencar, Juvenal Galeno, Celso de Magalhães, Couto de Magalhães, Sílvio Romero, João Ribeiro e, no século XX, por Amadeu Amaral, Mário de Andrade, Renato Almeida, Lindolfo Gomes, Augusto Meyer, Câmara Cascudo, Gustavo Barroso, Cavalcanti Proença, Oswaldo Elias Xidieh, Theo Brandão, Ariano Suassuna e tantos outros. Colheram todos a relação entre os agentes da cultura não letrada, quase sempre anônimos, e a palavra oral, pois o imaginário popular se exprimiu, durante séculos, abaixo do limiar da escrita.

No conjunto, o que aconteceu foi uma verdadeira operação de passagem, pela qual o letrado brasileiro foi incorporando ao repertório do leitor culto os signos e as imagens de um estilo de vida interiorano, rústico e pobre. Valorizando estética e moralmente as tradições populares, carreava-se a água para o moinho das identidades regionais e, no limite, da identidade nacional.

Fonte: BOSI, A. Literatura e resistência. São Paulo: Companhia das Letras, 2002. p. 259-260.


O personagem da literatura brasileira que melhor ilustra essa operação de passagem, contribuindo, significativamente, para a construção da identidade regional e nacional configura-se em

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Q845300 Literatura

Considere os excertos de poemas da literatura brasileira:


(I)

Lembro-me bem. A ponte era comprida,

E a minha sombra enorme enchia a ponte,

Como uma pele de rinoceronte

Estendida por toda a minha vida!


(II)

Se se pudesse o espírito que chora

Ver através da máscara da face,

Quanta gente, talvez, que inveja agora

Nos causa, então piedade nos causasse!


(III)

O Eden alli vai n’aquella errante

Ilhinha verde – portos venturosos

Cantando à tona d’água, os tão mimosos

Simplices corações, o amado, o amante.


(IV)

Existe um povo que a bandeira empresta

Para cobrir tanta infâmia e cobardia!...

E deixa-a transformar-se nesta festa

Em manto impuro de bacante fria!...


Em relação aos excertos, é correto afirmar:

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Q845299 Literatura

Transpuseram a prosa formal, inovaram a ficção, dominaram a força dos gêneros, reformularam a sintaxe e poetizaram o romance brasileiro.


Trata-se dos escritores

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Q845298 Literatura

Considere os excertos:


(I)

[...] no Brasil, contribuiu de maneira importante pelo fato de ter dado posição privilegiada ao meio e à raça como forças determinantes. Ora, meio e raça eram conceitos que correspondiam a problemas reais e a obsessões profundas, pesando nas concepções dos intelectuais e constituindo uma força impositiva em virtude das teorias científicas do momento [...].

Fonte: CANDIDO, A. O discurso e a cidade. São Paulo: Duas Cidades, 1993. p. 152.


(II)

[...] o homem ocidental não mais se conformava em abrir mão das virtualidades da vida terrena que o humanismo [...] e o alargamento espacial da Terra lhe revelaram. Por isso, o conflito entre o ideal de fuga e renúncia do mundo e as atrações e solicitações terrenas. Diante do dilema, em vez da impossível destruição, tentou a conciliação, a incorporação, a absorção.

Fonte: COUTINHO, A. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 1990. p. 99.


(III)

[...] A interação familiar, a educação da infância, as relações homem-mulher e homem-paisagem, a vida em sociedade, as instituições políticas e religiosas, tudo vai mudando de imagem e de significado no nível da consciência. Estilhaça-se o espelho em que esta reflete e prolonga a cultura recebida. E os cacos, ainda não rejuntados por uma nova ideologia explícita, vão-se dispondo em mosaico quando os apanha o andamento de uma prosa solta, rápida, impressionista.

Fonte: BOSI, A. Céu, inferno. São Paulo: Duas Cidades, 2010. p. 212-213.


(IV)

A fluência ardorosa do tempo, o gosto pelo nebuloso e antigo, a busca de consolidação da identidade nacional, o rosto pátrio, a afirmação de seus primeiros habitantes, [...], o uso da canção de verso breve, o folhetim, a comédia, certa tendência declamatória e a exploração fremente do sentimento sobre a razão.

Fonte: NEJAR, C. História da literatura brasileira: da carta de Caminha aos contemporâneos. São Paulo: Leya, 2011. p. 93.


Tendo em vista os estilos de época da literatura brasileira, os excertos destacados abordam, respectivamente,

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Q837124 Literatura

Texto 10A3DDD


      É no seu quarto romance, Vidas secas, publicado em 1938 e, portanto, produto do aprendizado vivido pelo escritor enquanto esteve preso, que emerge pela primeira vez uma visão social completa do processo histórico da modernização, aparecendo com clareza no romance aqueles que ficaram somente com a face do atraso nesse processo.

      Em Vidas secas, Graciliano dedica um capítulo do livro para cada membro da família, e demonstra cada ângulo de visão, mas fica claro que o ponto de vista do narrador, é de observar o coletivo, a família, e as saídas possíveis, ainda que, nesse caso, a única disponível seja a da fuga. Mesmo que fique clara uma separação entre o narrador e os personagens, Graciliano é, de uma maneira ou de outra, parte da realidade social que ele está retratando, e não há, portanto, uma relação de distância propriamente dita.

      O que se observa, em Vidas Secas, é que não há uma tentativa de dar voz aos camponeses. Graciliano não tem a coragem de entrar na pele de Fabiano, porque ele não sabe as palavras que estão na boca dele, e não quer colocá-las na boca dele. Ele não vai, por uma enorme simpatia que tenha pelo operário, pelo camponês, de repente começar a emprestar conteúdos esperançosos a ele, porque inclusive esse indivíduo não tem a mesma noção de esperança que ele. Não vai impor aos retirantes uma determinada forma de pensamento que fosse compatível com a maneira que ele pensava a marcha da História.

Marisa S. de Mello. Graciliano Ramos: modernista engajado. Internet: <www.unicamp.br/cemarx/anais> .

A partir da leitura do texto 10A3DDD e considerando-se a dinâmica do sistema literário brasileiro na geração de 1930 do Modernismo, é correto afirmar que nesse período escritores do gênero romance
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Q837122 Literatura

Texto 10A3CCC


      O nosso Modernismo importa, essencialmente, na libertação de uma série de recalques históricos, sociais, étnicos, que são trazidos triunfalmente à tona da consciência literária. Esse sentimento de triunfo, que assinala o fim da posição de inferioridade no diálogo secular com Portugal e já nem o leva mais em conta, define a originalidade própria do Modernismo na dialética do geral e do particular.

      Na nossa cultura há uma ambiguidade fundamental: a de sermos um povo latino, de herança cultural europeia, mas etnicamente mestiço, situado no trópico, influenciado por culturas primitivas, ameríndias e africanas. Essa ambiguidade deu sempre às afirmações particularistas um tom de constrangimento, que geralmente se resolvia pela idealização.

      O Modernismo rompe com esse estado de coisas. As nossas deficiências, supostas ou reais, são reinterpretadas como superioridades, através das vanguardas. A filosofia cósmica e superficial, que alguns adotaram certo momento nas pegadas de Graça Aranha, atribui um significado construtivo, heroico, ao cadinho de raças e culturas localizado numa natureza áspera. O mulato e o negro são definitivamente incorporados como temas de estudo, inspiração, exemplo. O primitivismo é agora fonte de beleza e não mais empecilho à elaboração da cultura. Isso, na literatura, na pintura, na música, nas ciências do homem.

Antonio Candido. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006, p. 126-7 (com adaptações)

Visto como síntese de tendências estéticas universalistas e particularistas, o Modernismo é apresentado pelo texto 10ACCC como um movimento que
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Q837121 Literatura

Texto 10A3CCC


      O nosso Modernismo importa, essencialmente, na libertação de uma série de recalques históricos, sociais, étnicos, que são trazidos triunfalmente à tona da consciência literária. Esse sentimento de triunfo, que assinala o fim da posição de inferioridade no diálogo secular com Portugal e já nem o leva mais em conta, define a originalidade própria do Modernismo na dialética do geral e do particular.

      Na nossa cultura há uma ambiguidade fundamental: a de sermos um povo latino, de herança cultural europeia, mas etnicamente mestiço, situado no trópico, influenciado por culturas primitivas, ameríndias e africanas. Essa ambiguidade deu sempre às afirmações particularistas um tom de constrangimento, que geralmente se resolvia pela idealização.

      O Modernismo rompe com esse estado de coisas. As nossas deficiências, supostas ou reais, são reinterpretadas como superioridades, através das vanguardas. A filosofia cósmica e superficial, que alguns adotaram certo momento nas pegadas de Graça Aranha, atribui um significado construtivo, heroico, ao cadinho de raças e culturas localizado numa natureza áspera. O mulato e o negro são definitivamente incorporados como temas de estudo, inspiração, exemplo. O primitivismo é agora fonte de beleza e não mais empecilho à elaboração da cultura. Isso, na literatura, na pintura, na música, nas ciências do homem.

Antonio Candido. Literatura e cultura de 1900 a 1945. In: Literatura e sociedade. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2006, p. 126-7 (com adaptações)

O texto 10A3CCC faz referência à(s)
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Q837119 Literatura

Texto 10A3BBB


                                   Livre


                 Livre! Ser livre da matéria escrava,

                 arrancar os grilhões que nos flagelam

                 e livre penetrar nos Dons que selam

                 a alma e lhe emprestam toda a etérea lava.


                  Livre da humana, da terrestre bava

                  dos corações daninhos que regelam,

                  quando os nossos sentidos se rebelam

                  contra a Infâmia bifronte que deprava.


                   Livre! Bem livre para andar mais puro,

                   mais junto à Natureza e mais seguro

                   do seu Amor, de todas as justiças.


                    Livre! Para sentir a Natureza,

                    para gozar, na universal Grandeza,

                    Fecundas e arcangélicas preguiças.

                    Cruz e Souza. Obra completa. V.1, Ed. Avenida, 2008, p. 529.

São elementos da estética simbolista presentes no poema Livre (texto 10A3BBB), de Cruz e Souza,
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Q837117 Literatura

Texto 10A3AAA


      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.

      […]

      O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

          Aluísio Azevedo. O cortiço. 15.ª ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-9.

A escola naturalista no Brasil, à qual pertence o romance O cortiço, de Aluísio Azevedo, caracteriza-se literariamente pela presença de narrativas com protagonismo de personagens
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Q837115 Literatura

Texto 10A3AAA


      Eram cinco horas da manhã e o cortiço acordava, abrindo, não os olhos, mas a sua infinidade de portas e janelas alinhadas. Um acordar alegre e farto de quem dormiu de uma assentada, sete horas de chumbo.

      […]

      O rumor crescia, condensando-se; o zunzum de todos os dias acentuava-se; já se não destacavam vozes dispersas, mas um só ruído compacto que enchia todo o cortiço. Começavam a fazer compras na venda; ensarilhavam-se discussões e rezingas; ouviam-se gargalhadas e pragas; já se não falava, gritava-se. Sentia-se naquela fermentação sanguínea, naquela gula viçosa de plantas rasteiras que mergulham os pés vigorosos na lama preta e nutriente da vida, o prazer animal de existir, a triunfante satisfação de respirar sobre a terra.

          Aluísio Azevedo. O cortiço. 15.ª ed. São Paulo: Ática, 1984. p. 28-9.

O texto 10A3AAA, trecho do romance de Aluísio Azevedo, estrutura-se a partir do princípio do naturalismo literário caracterizado pelo(a)
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Q837114 Literatura

Texto 10A2CCC


                              Canção do Tamoio

                              (Natalícia)


                        Não chores, meu filho;

                        Não chores, que a vida

                        É luta renhida:

                        Viver é lutar.

                        A vida é combate,

                        Que os fracos abate,

                        Que os fortes, os bravos

                        Só pode exaltar.


                        Um dia vivemos!

                        O homem que é forte

                        Não teme da morte;

                        Só teme fugir;

                        No arco que entesa

                        Tem certa uma presa,

                        Quer seja tapuia,

                        Condor ou tapir.


                         E pois que és meu filho,

                         Meus brios reveste;

                         Tamoio nasceste,

                          Valente serás.

                          Sê duro guerreiro,

                          Robusto, fragueiro,

                          Brasão dos tamoios

                          Na guerra e na paz.


                           Teu grito de guerra

                           Retumbe aos ouvidos

                           D’imigos transidos

                           Por vil comoção;

                           E tremam d’ouvi-lo

                           Pior que o sibilo

                           Das setas ligeiras,

                           Pior que o trovão.


                           Porém se a fortuna,

                           Traindo teus passos,

                           Te arroja nos laços

                           Do inimigo falaz!

                           Na última hora

                           Teus feitos memora,

                           Tranquilo nos gestos,

                            Impávido, audaz.


                           E cai como o tronco

                           Do raio tocado,

                           Partido, rojado

                           Por larga extensão;

                           Assim morre o forte!

                           No passo da morte

                           Triunfa, conquista

                           Mais alto brasão.


                           As armas ensaia,

                           Penetra na vida:

                           Pesada ou querida,

                           Viver é lutar.

                           Se o duro combate

                           Os fracos abate,

                           Aos fortes, aos bravos,

                           Só pode exaltar.

Gonçalves Dias. Canção do Tamoio. Internet: <www.dominiopublico.gov.br>  (com adaptações).

Na Canção do Tamoio, de Gonçalves Dias, apresenta-se o perfil literário do indígena construído pela poesia romântica com forte motivação nacionalista. Nessa fase da poesia romântica, o índio foi escolhido como o símbolo ideal do nacionalismo porque
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Q837111 Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165-6.

As liras de Marília de Dirceu, de que as estrofes do texto 10A2BBB fazem parte, são exemplos da perspectiva pré-romântica da poesia árcade brasileira. Nesse sentido, o lirismo amoroso de Tomás Antônio Gonzaga se mostra mais distante da formalidade árcade e mais próximo da espontaneidade romântica, embora ainda conserve elementos próprios do Arcadismo, como a
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Q837109 Literatura

Texto 10A2BBB


                 Eu, Marília, não fui nenhum vaqueiro,

                 fui honrado pastor da tua aldeia;

                 vestia finas lãs e tinha sempre

                 a minha choça do preciso cheia.

                 Tiraram-me o casal e o manso gado,

                 nem tenho a que me encoste um só cajado.


                  Para ter que te dar, é que eu queria

                  de mor rebanho ainda ser o dono;

                  prezava o teu semblante, os teus cabelos

                  ainda muito mais que um grande trono.

                  Agora que te oferte já não vejo,

                  além de um puro amor, de um são desejo.


                  Se o rio levantado me causava,

                   levando a sementeira, prejuízo,

                   eu alegre ficava, apenas via

                   na tua breve boca um ar de riso.

                   Tudo agora perdi; nem tenho o gosto

                    de ver-te ao menos compassivo o rosto.

Tomás Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu. In: A. Candido e A. Castello. Presença da literatura brasileira. Das origens ao Romantismo. São Paulo: Difel, 1976, p. 165-6.

A principal característica árcade presente nas estrofes do texto 10A2BBB é
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Q837107 Literatura

Texto 10A2AAA

       Na obra satírica de Gregório de Matos, não há o ânimo documentário ou a transfiguração hiperbólica, mas o flagrante expressivo até a caricatura, o ataque se elevando a denúncia, a ironia alegre ombreando com a revolta amarga, em contraste com a transfiguração eufórica de outros autores do tempo, em relação aos quais a sua poesia satírica aparece como contracorrente desmistificadora. Ele desdenha as aparências do mundo e desvenda a sua iniquidade, com um pessimismo realista que não hesita em entrar pela obscenidade e a crueza da vida do sexo. Poucos foram tão fundo nos aspectos considerados baixos, que ele trata com uma espécie de ímpeto justiceiro, que forra de inesperado moralismo as suas diatribes. Através da sua obra de rebelde apaixonado, transparece a irregularidade do mundo brasileiro de então, com uma sociedade em que o branco brutalizava o índio e o negro, as autoridades prevaricavam, os clérigos pecavam a valer e a virtude parecia às vezes uma farsa difícil de representar.

Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira: resumo para principiantes.

São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999, p. 24-5 (com adaptações)

A poesia satírica de Gregório de Matos, conforme se pode deduzir do texto 10A2AAA, se constituiu de elementos barrocos, como a antítese, presente no modo com que o poeta apreendia a realidade — com “ironia alegre” e “revolta amarga”. Considerando-se que esse ponto de vista antitético foi a grande contribuição da literatura barroca para a sociedade da época, é correto afirmar que, ao desvendar a irregularidade do mundo por meio dos violentos contrastes da linguagem, a sátira de Gregório de Matos
Alternativas
Q832877 Literatura

Leia os itens e, quanto aos autores - obras, assinale a alternativa correta.


I - Marília de Dirceu (Tomás Antônio Gonzaga)

II - A Moreninha (Joaquim Manuel de Macedo)

III - O Ateneu (Raul Pompeia)

IV - Broquéis (Cruz e Sousa)

V - Sagarana (João Cabral de Melo Neto)

Alternativas
Q832876 Literatura
As obras “São Bernardo”, “Angústia” e “Vidas Secas” pertencem a:
Alternativas
Respostas
781: E
782: D
783: D
784: C
785: C
786: A
787: C
788: A
789: E
790: C
791: C
792: D
793: E
794: E
795: A
796: D
797: B
798: C
799: B
800: C