“As inclemências do céu são o principal inimigo que tem as canas (...). Os canaviais nos outeiros resistem
mais às chuvas quando são demasiadas, porém, são os primeiros a queixar-se da seca. Pelo contrário,
as várzeas não sentem tão depressa a força do excessivo calor, mas na abundância das águas choram
primeiro suas perdas. A cana da Bahia quer água nos meses de outubro, novembro e dezembro e para a
planta nova em fevereiro, e quer também sucessivamente sol, o qual comumente não falta, assim não
faltassem nos sobre-ditos meses as chuvas. [..] Porém, o inimigo mais molesto e mais contínuo e
doméstico da cana é o capim, pois, mais ou menos até ao fim a persegue. E por isso, tendo o plantar e o
cortar seus tempos certos, o limpar obriga os escravos dos lavradores a irem sempre com a enxada na
mão e, acabada qualquer outra ocupação fora do canavial, nunca se mandam debalde a limpar.”
André João Antonil, em “Cultura e opulência do Brasil (1711)”. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1967. Interpretando o excerto acima, é correto afirmar que: