Questões de Concurso Público IFB 2016 para Psicólogo
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A Constituição Federal da República de 1988 prevê, com relação à Administração Pública Federal, alguns princípios e regramentos de observância cogente. Com base nas assertivas abaixo, marque (V) para as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS.
( ) São estáveis após três anos da posse os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso público. ( ) O servidor público estável perderá o cargo em virtude de sentença penal condenatória. ( ) Se um servidor público estável tiver sua demissão invalidada por sentença judicial, será reintegrado ao cargo e o eventual ocupante da vaga poderá ser reconduzido, sem direito a indenização. ( ) Por serem atos contrários ao interesse público e de grande repercussão social, os ilícitos praticados por agente público que causem prejuízo ao erário são imprescritíveis.
Acerca da Administração Pública Federal, marque (V) para as VERDADEIRAS e (F) para as FALSAS.
( ) É permitida a acumulação remunerada de cargos públicos, sendo compatíveis os horários e regimes, quando se tratar de um cargo de professor e um cargo de enfermeiro no Instituto Federal de Educação. ( ) É importante que o dirigente máximo da autarquia manifeste seu posicionamento pessoal acerca dos programas desenvolvidos pela instituição, com caráter educativo, informativo e de orientação social, uma vez que os atos da administração precisam ser motivados. ( ) Os requisitos de idade e de tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos para o professor que comprovar tempo de efetivo exercício das funções de magistério exclusivamente na educação infantil. ( ) Sem prejuízo da ação penal cabível, os atos de improbidade administrativa acarretarão na suspensão dos direitos políticos, na perda da função pública, na indisponibilidade dos bens e no ressarcimento ao erário.
Leia as afirmativas acerca dos Institutos Federais de Educação, instituídos na Lei nº 11.892/08.
I) Uma das finalidades dos Institutos Federais é a de orientar sua oferta formativa em benefício da consolidação e do fortalecimento dos arranjos produtivos, sociais e culturais locais. II) O atendimento ao percentual mínimo de oferta de vagas dos Institutos Federais na educação profissional técnica de nível médio, prioritariamente na forma de cursos integrados, é obrigatório em todos os campi. III) Uma das finalidades dos Institutos Federais é ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os níveis e modalidades. IV) O Instituto Federal tem por finalidade prevista em lei a promoção da verticalização da educação básica à educação profissional e educação superior.
Assinale a alternativa que apresenta somente as afirmativas CORRETAS:
Sobre a atuação do psicólogo na educação básica e considerando o que regulamenta o Código de Ética do Psicólogo, julgue as afirmativas a seguir:
I) Ao receber um encaminhamento de criança ou adolescente, advindo da equipe pedagógica, o psicólogo poderá realizar um atendimento eventual, porém, para a continuidade do atendimento, dependerá da autorização dos dois responsáveis.
II) Em que se pese atuação em equipe multiprofissional, o psicólogo fará registro em documentos de uso comum apenas de dados necessários para efetivação dos objetivos do trabalho em curso, resguardando o sigilo das demais informações.
III) O psicólogo deve comunicar aos responsáveis todas as informações adquiridas no curso do atendimento de crianças e adolescentes, como forma de promoverem medidas em seu benefício.
IV) Ao compartilhar informações com profissionais não psicólogos sobre atendimentos psicológicos realizados, considerando o caráter confidencial dessas comunicações, a obrigatoriedade de sigilo se estende a quem as recebeu.
Estão INCORRETAS:
Com relação à noção de gênero, no que se refere à clínica psicológica (CFP, 2011), marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa em que se apresenta a sequência CORRETA.
( ) São frequentes as expressões de sofrimento na fala de pacientes homossexuais quanto a uma sensação de inadequação entre anatomia, gênero, desejo e prática sexual, que resulta de uma predominância da heterossexualidade, única forma em que necessariamente ocorre concordância entre esses quatro itens, sendo coerente com a visão de mundo da sociedade.
( ) As práticas psi devem considerar os estudos de gênero de Judith Butler para diferenciar sexo no sentido anatômico da identidade no social ou psíquico, noção de gênero que se baseia estritamente na percepção de atributos culturais que vão constituir categorias para compreensão dos casos clínicos.
( ) A prática psicanalítica, bem como as demais práticas psi, devem buscar contribuições de outras áreas, como Antropologia, Sociologia e História, para lidar com o campo do gênero e da sexualidade, compreendendo as transformações que estão acontecendo na sociedade.
( ) Desde as investigações antropológicas de Margaret Mead, na década de 30, a categoria de gênero como divisão de papel sexual foi acompanhada da questão sobre a relação entre natureza e cultura. Desse modo, apenas as concepções construtivistas sobre gênero foram desenvolvidas, enquanto posições essencialistas e universalistas limitaram-se à distinção biológica entre os sexos masculino e feminino.
( ) Em consonância aos referenciais de Butler, toda atuação psi que envolve concepções de gênero deve colocar em prática a postura ética e o propósito de transformação da sociedade em relação à aceitação das pessoas que sofrem por questões de gênero, convergindo suas práticas ao direito de existência legítima dessas pessoas e, portanto, à crítica às normalizações que acarretam o seu sofrimento por conta de uma inadequação instituída.
( ) Para Butler, a Psicanálise é importante porque se trata de uma teoria capaz de promover forte crítica à normalização e às regulações sociais. No entanto, restringe-se à escuta clínica, sendo incompatível com os estudos culturais e as políticas culturais que, na prática, podem contribuir para transformações sociais. A questão é se a inadequação quanto ao gênero e sexualidade acarretam sofrimento por conta das normas de uma realidade instituída, é preciso instituir novas realidades.
Em A História da Sexualidade, Foucault (1985) discute a proliferação de discursos que, desde o século XVII e, de forma mais acentuada, a partir do século XIX, produziram estratégias de controle e de regulação sobre os corpos, que visavam não somente ao comportamento individual, “à virtude dos cidadãos”, mas às populações. Tais discussões fundamentam a hipótese de que o discurso sobre a sexualidade humana vai emergir e sustentar-se quando se põe a funcionar um certo regime de saber-poder. Considerando a referida obra, no que concerne à produção da sexualidade e às técnicas do poder que a acompanham, marque (V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as falsas e assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
( ) O ponto importante será saber sob que formas, através de que canais, fluindo através de que discursos o poder consegue chegar às mais tênues e mais individuais das condutas, de que maneira o poder penetra e controla o prazer cotidiano.
( ) No século XVIII o sexo se torna questão de “polícia”, ou seja, objeto de repressão e de contenção da desordem, para a eliminação dos desvios à normalidade. Foucault analisa os procedimentos de gestão dos quais o poder público utiliza-se para reprimir a sexualidade, o que foi justificado por discursos analíticos que tinham por alvo o julgamento das condutas individuais.
( ) Este projeto de uma “colocação do sexo em discurso” advém da pastoral cristã, numa tradição ascética e monástica, que incitava às práticas confessionais, as quais foram estendidas a todos a partir do século XVIII, Coloca-se como imperativo confessar os atos contrários à lei, para que fossem censuradas e interditadas todas as expressões relacionadas ao sexo, neutralizando-o, dessa forma.
( ) A técnica da confissão, apesar de ter permanecido restrita à espiritualidade cristã, foi associada a uma economia dos prazeres individuais, e utilizada por um “interesse público”, sendo reproduzida por mecanismos de poder para cujo funcionamento o discurso sobre o sexo passou a ser essencial.
( ) Uma das grandes novidades nas técnicas de poder, no século XVIII, foi o surgimento da
“população”, como problema econômico e político. No cerne deste problema, está o sexo: é
necessário analisar a taxa de natalidade, a idade do casamento, os nascimentos legítimos e
ilegítimos, a precocidade e a frequência das relações sexuais, a maneira de torná-las fecundas
ou estéreis. A conduta sexual da população é tomada, ao mesmo tempo, como objeto de análise
e alvo de intervenção.
Ao considerarmos a argumentação de Foucault (1985), a respeito dos discursos sobre a sexualidade nas sociedades modernas, analise as afirmativas abaixo, sobre a hipótese repressiva:
I) A repressão do sexo é uma evidência histórica, instaurada desde o século XVII, ocorrendo uma ruptura histórica, após a era vitoriana, pela análise crítica da repressão. Dessa forma, Foucault afirma ser necessário determinar se essas produções discursivas podem levar a formular a verdade do sexo ou, ao contrário, mentiras destinadas a ocultá-lo.
II) Para os estudos de Foucault, o essencial não é tanto saber o que dizer ao sexo, sim ou não, afirmar sua importância ou negar seus efeitos, mas levar em consideração o fato de se falar de sexo, quem fala, os lugares e os pontos de vista de que se fala, as instituições que incitam a fazê-lo.
III) Segundo Foucault, a interdição do sexo não é uma ilusão; a ilusão está em fazer dessa interdição o elemento fundamental e constituinte a respeito da história da sexualidade. Todos esses elementos negativos – proibições, recusas, censuras, negações – que a hipótese repressiva agrupa num grande mecanismo central destinado a dizer não, são peças que têm uma função local e tática, numa colocação discursiva, numa técnica de poder, que só alcança as condutas individuais, não influenciando a análise e regulação das populações.
IV) A polícia do sexo é uma expressão que Foucault utiliza ao analisar a necessidade de regular o sexo por meio de discursos úteis e públicos e pelo rigor de uma proibição. Que o Estado saiba o que se passa com o sexo dos cidadãos e o uso que dele fazem e, também, que cada um seja capaz de controlar sua prática, segundo mecanismos repressivos e de interdição.
V) Não se deve fazer divisão binária entre o que se diz e o que não se diz; é preciso tentar determinar as diferentes maneiras de não dizer, como são distribuídos os que podem e os que não podem falar, que tipo de discurso é autorizado ou que forma de discrição é exigida a uns e outros. Não existe um só, mas muitos silêncios e são parte integrante das estratégias que apoiam e atravessam os discursos, não constituem, portanto, o limite absoluto do discurso.
VI) Seria inexato dizer que a instituição pedagógica impôs um silêncio geral ao sexo das crianças e dos adolescentes, ela concentrou as formas do discurso neste tema, codificou os conteúdos e qualificou os locutores. Falar do sexo das crianças, fazer com que falem dele os educadores, os médicos, os administradores e os pais; encerrá-las numa teia de discurso que ora se dirigem a elas, ora falam delas – tudo isso permite vincular a intensificação dos poderes à multiplicação do discurso.
Estão CORRETAS: