“Apropriar-se o funcionário público de dinheiro, valor ou qu...
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A alternativa correta é a C - peculato.
Interpretação do Enunciado: A questão aborda o crime de peculato, que é um dos crimes praticados por funcionários públicos contra a administração pública. O funcionário apropria-se de um bem que está sob sua posse em razão do cargo, ou o desvia para benefício próprio ou de outra pessoa.
Legislação Aplicável: O crime de peculato está previsto no Artigo 312 do Código Penal Brasileiro. O artigo descreve que comete peculato o funcionário público que se apropria de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, que tem a posse em razão do cargo, ou o desvia, em proveito próprio ou alheio.
Justificativa da Alternativa Correta: A definição apresentada no enunciado corresponde diretamente ao tipo penal do peculato, conforme descrito no artigo mencionado. O crime ocorre quando o funcionário público abusa da confiança depositada em sua função para apropriar-se de bens de que tem posse.
Análise das Alternativas Incorretas:
- A - Concussão: Previsto no Artigo 316 do Código Penal, a concussão ocorre quando o funcionário público exige vantagem indevida, diretamente ou indiretamente, para si ou para outrem, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela. Não se enquadra no caso descrito.
- B - Corrupção Passiva: Segundo o Artigo 317 do Código Penal, corrupção passiva acontece quando o funcionário público solicita ou recebe vantagem indevida, ou aceita promessa de tal vantagem, em razão da função. Novamente, não está em conformidade com a situação apresentada.
- D - Prevaricação: Conforme o Artigo 319 do Código Penal, ocorre quando o funcionário público retarda ou deixa de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou o pratica contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal. Não há apropriação ou desvio de bens.
- E - Apropriação Indébita: Embora similar ao peculato, a apropriação indébita, prevista no Artigo 168, não envolve a condição de funcionário público que se apropria de bens sob sua posse em razão do cargo.
Entender a tipificação correta dos crimes é essencial para a resolução de questões de concursos públicos. A prática constante e a leitura cuidadosa dos enunciados e alternativas são fundamentais para o êxito.
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Artigo 312 do Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940
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Desta forma o tipo penal tutela (objetividade jurídica) a moralidade, probidade e normalidade da Administração Pública. Todo ilícito penal praticado por funcionário público contra a Administração, também é igualmente um ilícito administrativo.
O bem jurídico protegido é a Administração pública. Tem como Sujeito Ativo o funcionário público, portanto é crime próprio. Como esta qualidade (funcionário público) é elementar do crime ela se comunica com o coautor ou partícipe. Entretanto, o particular chamado de extraneus tem que saber da qualidade de funcionário público do agente. O sujeito passivo é o Estado ou entidade pública, eventualmente pode ser o particular que tenha um bem guardado sob vigilância do Estado. Exemplo disso seria carro no pátio do DETRAN, furtado por funcionário do DETRAN.
O pressuposto básico do crime é a anterior posse lícita do bem, do qual o funcionário público se apropria indevidamente. Esta posse prévia deve advir do cargo, deve fazer parte de suas atribuições.
O crime de peculato se divide em três: peculato-desvio + peculato-apropriação, peculato-furto e peculato-culposo. Bitencourt coloca desvio e apropriação como sendo da mesma espécie.
Peculato-apropriação: o verbo apropriar tem significado de assenhorar-se, tomar como sua, apossar-se, isto é, inverter a natureza da posse, agindo como se fosse dono da coisa pública, de que tem posse ou dentenção. O objeto material do crime é dinheiro, valor ou qualquer bem móvel, público ou particular, de que o agente tem posse.
Peculato-desvio a ação nuclear é desviar que tem como significado o de alterar o destino natural do objeto material ou dar-lhe outro encaminhamento. Isto é, dá destino diverso da que lhe foi determinada. Não há o animus rem sibi habendi (ânimo de ser dono). Aqui pode caracterizar-se também o uso irregular de coisa pública, desde que haja o dolo específico ou elemento subjetivo especial do tipo que o desvio seja em proveito próprio ou alheio.
Peculato-furto ocorre quando o funcionário não tem a posse do bem (objeto material) e o subtrai em proveito próprio ou alheio, valendo-se da facilidade que lhe proporciona a qualidade de funcionário público.
Peculato Culposo – tal modalidade é excepcionalíssima, aliás, seguindo o princípio da excepcionalidade do crime culposo, assegurada no próprio CP. Ocorre peculato culposo quando funcionário público concorre para que outrem se aproprie, desvie ou subtraia o objeto material da proteção penal, em razão de sua inobservância ao dever objetivo de cuidado necessário. No caso, o funcionário negligente não concorre diretamente no fato (e para o fato) praticado por outrem,mas, com sua desatenção ou descuido, propicia ou oportuniza INVOLUNTARIAMENTE, a que outrem pratique um crime doloso.
Fonte: Tratado de Direito Penal, parte especial 5 - Cézar Roberto Bitencourt. 6ªed. 2012. Capítulo 1
Peculato apropriação = consuma-se o crime no momento em que o agente transforma a posse ou detenção sobre o dinheiro, valor ou outra coisa móvel em domínio, ou seja, quando passa a agir como se fosse dono da coisa.
Peculato desvio = consuma-se no instante em que o funcionário público dá à coisa destino diverso do previsto em lei.
Vale mencionar que o peculato é crime funcional impróprio, o que implica dizer que, se ausente a qualidade do agente (funcionário público), a conduta deixa de ser crime funcional para ser um outro crime. Neste caso, há tipicidade relativa, p. ex., se a conduta seja praticada por quem não é funcionário público, a conduta deixa de ser peculato para ser furto ou apropriação indébita, a depender do caso.
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