Questões de Concurso
Sobre globalização, reestruturação produtiva e mudanças recentes do trabalho em sociologia
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“Tudo aponta para o fato de que o Estado está se redefinindo, em função não só de seus problemas estruturais, herdados da tradição da dominação patrimonial e oligárquica. A propósito dessas mudanças, fala-se muito, condenando, em Estado mínimo no Brasil como se fosse o Estado da ideologia econômica neoliberal. No meu modo de ver, são coisas diferentes. O que está acontecendo no Brasil, com a reforma do Estado, é sobretudo a desoligarquização do Estado, ou seja, uma modernização do Estado.”
MARTINS, José de Sousa. A Sociedade vista do abismo. Novos estudos sobre exclusão, pobreza e classes sociais. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 176.
O texto acima acaba se opondo a uma corrente interpretativa majoritária na sociologia brasileira a respeito dessa temática, que define o novo Estado brasileiro como “neoliberal”. A posição de Martins pode ser denominada “modernizadora” e a dos que ele contesta como sendo “neoliberal”. Essas duas posições expressam, respectivamente:
Esse documento é denominado termo de
CASTEL, R. As metamorfoses da questão social: uma crônica do salário. Petrópolis: Vozes, 1998. p. 593. Adaptado.
A sociedade vem atravessando uma verdadeira metamorfose da questão social, caracterizada pelas mudanças da sociedade salarial entendida como um binômio trabalho-proteção social instituído no pós-Segunda Guerra Mundial.
Essa precarização é marcada pela
SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. p. 23-24. Adaptado.
Essas técnicas da informação são apropriadas por alguns Estados e por algumas empresas transnacionais, aprofundando, assim, a desigualdade planetária.
No bojo das transformações do mundo do trabalho, tais mudanças em escala global provocaram a(o)
[...] se deixa de querer prejulgar a eficácia do sujeito por títulos, diplomas, status, experiência acumulada, ou seja, a posição que ele ocupa numa classificação, porque passa-se a confiar na avaliação mais fina e regular de suas competências postas efetivamente em prática a todo instante. O sujeito não vale mais pelas qualidades estatutárias que lhe foram reconhecidas durante sua trajetória escolar e profissional, mas pelo valor de uso diretamente mensurável de sua força de trabalho.
LAVAL, C; DARDOT, P. A nova razão do mundo. São Paulo: Boitempo, 2016. p. 351. Adaptado.
A caracterização dos autores acompanha transformações importantes nos dispositivos de Estado e no modo de funcionamento da economia privada.
Nesse sentido, a política econômica mais alinhada à recente reestruturação produtiva e o requisito exigido do trabalhador são, respectivamente, o
Comecemos pelo exemplo recente mais exuberante. A Amazon (incluindo a Amazon Mechanical Turk) é de grande significado. [...] Depoimentos de trabalhadores nos EUA demonstram que caminhar 24 ou 25 km ao longo do dia, para buscar nas prateleiras os produtos a serem enviados em tempo veloz aos consumidores, é prática sistemática. Embalar 120 a 200 produtos por hora, trabalhar 55 horas por semana e até 10 horas por dia, em períodos de vendas intensas, como no período natalino, compõe o cotidiano de trabalhadores em sua unidade de Tilburi, na Inglaterra, onde se encontra o seu maior centro de e-commerce na Europa, no qual são vendidos mais de 1 milhão e 200 mil produtos por ano, conforme relato feito pelo jornalista Alan Selby.
ANTUNES, R. Uberização do trabalho e capitalismo de plataforma: uma nova era de desantropomorfização do trabalho?. Revista Análise Social. Lisboa n. 248, 2023 p. 518. Disponível em https://revistas.rcaap.pt/analisesocial/article/view/33535/23430. Acesso em: 29 fev. 2024. Adaptado.
O caso descrito pelo autor tem sido comum nas configurações mais recentes do mundo do trabalho.
Trata-se de um modelo de trabalho que conjuga a atividade digital com a(o)
Adaptado de HILMAN, Jonathan E. A Rota da Seda Digital. São Paulo: Vestígio, 2022.
O trecho versa sobre a quebra de expectativas relativamente às contemporâneas tecnologias da comunicação. Trata-se de uma crítica à ideia de que
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD Contínua) 2022. Tabela 1.2 (com adaptações).
Tendo como referência inicial o cartograma precedente, que mostra a proporção de pessoas em ocupações informais, por unidade da Federação, no ano de 2022, julgue o item subsequente, acerca da informalidade ocupacional e das disparidades regionais econômicas no Brasil.
Amazonas, Pará, Maranhão e Piauí são unidades da
Federação que apresentam elevados percentuais de
ocupações informais, o que evidencia a necessidade de
políticas e ações de transferência de renda e geração de
empregos formais nessas localidades.
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD Contínua) 2022. Tabelas 1.1 e 1.3 (com adaptações).
A partir da tabela precedente, em que são apresentados indicadores da população ocupada e subocupada por insuficiência de horas no Brasil, no ano de 2022, julgue o seguinte item.
O indicador de população subocupada por insuficiência
de horas representa as pessoas que não ocupam postos
formais de trabalho e desistiram de procurar ocupação no
mercado.
Em relação aos fenômenos conhecidos como uberização e pejotização, julgue o item que se segue.
Esses dois fenômenos são formas contemporâneas de
acumulação capitalista e envolvem relações de trabalho sem
garantia de direitos trabalhistas como férias e décimo
terceiro salário.
Em relação aos fenômenos conhecidos como uberização e pejotização, julgue o item que se segue.
A pejotização das relações de trabalho é caracterizada pela
utilização de plataforma digital por pessoa física para
oferecer seus serviços a terceiros de forma análoga a uma
pessoa jurídica.
Em relação aos fenômenos conhecidos como uberização e pejotização, julgue o item que se segue.
No contexto dos fenômenos em questão, o gerenciamento
algorítmico corresponde ao conjunto de instruções
automatizadas que, capaz de combinar diversas variáveis que
envolvem relações de trabalho regulares e formais, é
utilizado para medir a qualidade dos serviços prestados.
O emprego se diferencia do trabalho autônomo, entre outros fatores, pela relação de dependência do empregador, que assume os riscos da atividade econômica, assalaria e dirige a atividade laboral (CARELLI, 2020). Entretanto, a intermediação da prestação de serviços, por meio de plataformas digitais, tem desafiado o ordenamento jurídico sobre o seu enquadramento. De que forma a literatura sociológica recente tem nomeado esse fenômeno do mundo do trabalho?
A extensão do assalariamento ao longo do século XX possibilitou a construção de uma identidade social do trabalhador assalariado. Dentro desse contexto, a mediação entre o indivíduo e a sociedade se estabelece:
[...] penso também que esta confluência de tempos e de espaços pode ajudar a mostrar as contradições, as tensões e os conflitos que sempre estiveram duma maneira ou de outra e, muitas vezes, de maneira muito distinta da atual, presentes no contato entre os globalizadores e os globalizados. Ao longo de todo este longo período histórico, houve sempre uma grande assimetria de poder. Esta assimetria deu-se no domínio econômico, deu-se no domínio político, deu-se no domínio cultural.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Dilemas do nosso tempo: globalização, multiculturalismo e conhecimento. Educação & Realidade. Porto Alegre, 26 (1), p. 13-32, 2022.
Levando em consideração a análise sociológica e a perspectiva de Boaventura de Sousa Santos quanto ao fenômeno da globalização, assinale a alternativa correta.
Essa precarização do trabalho deve ser entendida como: